Serviços já respondem por 67,4% do PIB brasileiro

 Encaixam-se em serviços os itens ligados à moradia, médicos, dentistas,etc

 

O setor de serviços já responde por 67,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a tendência é de que a participação cresça ainda mais nos próximos anos. O número e a avaliação são de um estudo preparado pela equipe de economistas do banco Credit Suisse, liderada por Nilson Teixeira.

“É um processo natural, que se segue à melhora da renda e de sua distribuição. A sociedade tende a buscar mais serviços, como turismo e alimentação fora do domicílio”, explicou Teixeira. Em 2004, o peso dos serviços na economia nacional era de 63%. Entre aquele ano e 2010, a participação da indústria no PIB caiu de 30,1% para 26,8%.

Com isso, o Brasil segue uma tendência mundial, já consolidada nas nações desenvolvidas, mas que se acelera também nos países emergentes. Um dos efeitos práticos dessa realidade é o de que, para estimar o crescimento econômico, será preciso acompanhar cada vez mais o desempenho dessa área. Hoje em dia, ainda se olha muito para o que acontece na indústria.

Teixeira explicou ainda que a inflação maior em serviços não é privilégio brasileiro. “Esse fenômeno não sinaliza um desequilíbrio econômico e é tradicional na maior parte das economias”, afirmou. Isso ocorre basicamente por dois fatores.

O primeiro é que a concorrência nesse segmento da economia é, em geral, bem menor. “Você pode até importar de outro país um cabeleireiro para cortar seu cabelo, mas convenhamos: não é uma operação simples”, brinca. Encaixam-se em serviços, por exemplo, os itens ligados à moradia, médicos, dentistas etc.

O outro fator está relacionado à indexação. Normalmente, disse Teixeira, os preços dos serviços são corrigidos pela inflação geral. Não é difícil entender. Médicos, dentistas e advogados, entre outros profissionais, costumam reajustar seus preços de acordo com os indicadores de inflação mais conhecidos.

“Por isso é tão importante ter um nível de inflação bem baixo. As pessoas passam a olhar para a frente, e não para trás, quando vão definir seus preços.”

Teixeira também rebate a avaliação, expressa por muitos economistas da linha conhecida como heterodoxa, de que o aumento da participação dos serviços pode ser negativo para economias emergentes. O argumento é o de que a indústria gera mais empregos – e empregos qualificados – do que o setor de serviços.

Numa economia emergente, que precisa empregar força de trabalho maior – e mais pobre – seria um problema. “Tomemos um exemplo exagerado, de uma indústria 100% automatizada. Seria preciso uma mão de obra especializada grande para produzir e fazer a manutenção dos softwares utilizados”, afirmou. Ou seja, os profissionais do chão da fábrica seriam trocados pelos especialistas em tecnologia.

Fonte: Leandro Modé – ESTADÃO